domingo, 13 de setembro de 2015

Sentinelas do destino (Poesia)

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Aquela mania, aquele prazer, aquele dever de colecionar beijos e paixões. Histórias de colchões, de camas e motéis. Mulheres infiéis que seduzi por vaidade. Mas na verdade, meus erros voltaram-se contra minha vida. Me vi perdido, sem saída, preso ao comodismo de uma ilusão. Meu coração enfeitiçado à beleza do corpo esguio. E o meu mundo tornou-se frio e eu nem percebi. Quantas vezes morri, mas renasci por calor de amigos? Quantos foram os perigos que vivi enquanto cego? Porém, eu não nego! Eu adorei o que foi bom. Se não fosse meu dom da criatividade; se não fosse a sensibilidade de captar as entrelinhas, eu me dobraria àquelas covinhas, àquele carisma de princesa.

Sem tristeza! Um novo caminho se revelou! Foram-se as namoradas, foram-se os amigos. Não há mais abrigos com as moças do passado. Talvez eu tenha errado, com uma ou com todas elas. Sentinelas do destino puniram o meu descaso.

A estrela! O brilho! A luz veio a brilhar! Passei a experimentar o que nunca experimentei! A lei do azar no amor: sorte na carreira! – E eu pensava ser besteira! Um jargão, vão e banal. Mas quem diria ser real e estar acontecendo? Quem diria eu estar vivendo conquistando o que sonhei? Tantos anos esperei por esse momento! Eu nem entendo o sentimento que venho sentindo! Eu me vejo sorrindo, pois tudo valeu a pena! Aquele beijo no cinema de quando ainda menino, o mimo de um namoro na fase colegial, a paixão avassaladora que me levou a igreja, e a loira que me levou a cerveja e me mostrou a simplicidade. Que saudades dessas mulheres! Que saudades do que já aconteceu! Agora, tudo se perdeu! São apenas lembranças em meu coração.

Porque não se são e com razão o meu coração ficará trancado? Troco os romances, paixões e amores bem-amados! Prefiro os meus sonhos! Sonhos encantados! Sendo certos ou errados, são os meus sonhos já sonhados, arquitetados em meados de dias sagrados, lembrados e pensados como um tempo que foi bom.

Foi bom, foi bom e foi bom. Porém, o meu dom... Esse prevalece!

*por Adrian Mcoy

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Entrevista: Dr.Antonio Ricardo de Carvalho

Nascido em São Paulo, entrou para a faculdade com apenas seus 17 anos, na PUC-SP, em Sorocaba, e se formou aos 22. Dr. Antônio Ricardo, 46 anos de idade, é nefrologista (especialidade em doenças do rim) e clínico-geral com pós-graduação em saúde mental. Atualmente é considerado um dos mais prestigiados médicos da cidade, o qual vem estando às margens da vida pública e de grandes planos para a política da cidade.



Revista - Como é sua filosofia de trabalho. Como deve ser o atendimento ideal de um médico aos seus pacientes?

Doutor - Acredito que a melhor maneira é tratar a pessoa, e não a doença. É preciso observar vários aspectos, como o estilo de vida de cada um, seus hábitos, sua alimentação etc. É claro que devemos incentivar a prática de exercícios, mas não adianta falar para alguém que sempre foi sedentário, mudar totalmente de vida; é preciso adequar o tratamento ao estilo de cada pessoa. É preciso, ainda, respeito e igualdade para com os pacientes, ficar no mesmo nível intelectual da pessoa e usar linguagem simples, para que ela possa atender. Deve-se tranquilizar o paciente, que, às vezes, sai estressado do trabalho e vai ao médico, ou às vezes não tem o dinheiro para comprar o remédio. Além disso, acho que temos que nos envolver com as pessoas e com seus problemas de saúde.


Revista - Quais são suas pretensões políticas? O senhor será candidato a prefeito nas próximas eleições?

Doutor - Eu estou sem partido, mas existe uma tendência de fechar com o DEM e com o Grupo Chedid, mas não está determinado o cargo ao qual irei concorrer. Vou para a oposição pois não concordo com o que o PT tem feito na Bragança, e, por isso, devo participar de outro grupo. Eu gostaria de entrar como candidato a vice-prefeito, mas isso ainda não está certo; deverei participar da chapa, mas o cargo ainda não está definido. Temos outros nomes importantes conosco, como o Gabriel (Cintra Gonçalves, vereador), Serginho Conti (ex-presidente da Câmara), entre outros, que vão decidir também como será o processo. Creio que não seja o momento de sair como prefeito, pois ainda quero trabalhar e me dedicar, por um bom tempo, à carreira de médico; acredito que ainda tenho muito a ajudar nessa área. E gostaria de destacar que, se o dr. Jesus Chedid puder concorrer a prefeito, ganhará a eleição na certa. Na verdade, não se ganha uma eleição sem um grupo formado por pessoas competentes e que sejam capazes de tocar a administração pública com eficiência. Aliás, esse problema da não eficácia é o que temos observado em Bragança, na atual administração. O importante é compor o nosso grupo da melhor maneira, para que a cidade é que possa ganhar com tudo isso.


Revista - Qual seria o seu projeto para Bragança Paulista, em termos de saúde, infraestrutura e desenvolvimento?

Doutor - Bragança está muito bem servida na área da saúde, com ótimos profissionais. Porém, nossa cidade deveria estar “competindo” agora com Jundiaí e Campinas, mas ficou para trás. Em termos de projetos, eu acredito que Bragança poderia se transformar num polo de saúde, que seria um segmento a ser explorado e que poderia gerar turismo e consumo também. Outro aspecto importante, por exemplo, é a nossa posição geográfica, próximo a Campinas, Jundiaí, São Paulo, São José dos Campos e de Minas Gerais. Por isso, a ideia de transformar a cidade em um centro de distribuição de produtos, unindo o agronegócio e a indústria de toda a região e gerando muitos empregos. O projeto consiste na criação de um grande galpão, de um grande pátio, localizado estrategicamente entre as rodovias da região, como Fernão Dias e Dom Pedro I.


Revista - O que representa para o senhor os elogios que recebe, inclusive pelo Facebook, de centenas de pessoas?

Doutor - É claro, fico muito contente, é muito gratificante. O meu avô era mecânico, em São Paulo, e me dizia: “É melhor você estudar, para não precisar ficar com as mãos sujas, e procure ser o melhor, independentemente da profissão que escolher”. E esse exemplo eu levo para minha vida: fazer o melhor de mim. Quando eu trato um indivíduo, eu penso que estou tratando meu pai, minha mãe... Tudo que está acontecendo é reflexo do meu trabalho, por isso é com muita satisfação que recebo os elogios.


*Reportagem: João Marcelo Brochetta

O mal do Bullying

*Inocentes agressões que podem ferir toda uma vida.

Em uma reflexão acerca de minha infância, acabei mudando minha opinião quanto ao bullying; algo que sinceramente eu pensava não ter importância. Notei que atualmente sou ressabiado com quase tudo e quase todos. Sigo minha vida de guarda fechada, como se a todo instante alguém estivesse pronto a me atacar, embora há muitos anos isso não me aconteça. No entanto, tenho minha autoestima ferida e, por mais que possa receber elogios, sempre fico na defensiva ao ter que me expor a alguém.  Esses males vêm de ações que ocorreram em minha infância devido a outras crianças que, obviamente, não sabiam o que estavam fazendo. Aos cinco anos comecei a usar óculos de seis graus, ou seja, nada conveniente, além de vez ou outra ter que usar tampões. E mais: meus dentes incisivos superiores eram deslocados para frente, o que me rotulava por uma série de apelidos maldosos. Devido à essa questão, fui forçado a criar em mim um escudo inquebrável e poderoso, o qual fez com que minha personalidade se tornasse forte e precavida. Isso, ora me é favorável, ora é terrível. Por conta de minha eterna desconfiança, tenho a língua ligeira, a confrontar de maneira destrutiva, o que já afastou pessoas e me fez perder momentos agradáveis. Como esses males foram gerados na infância, são hoje a base de minha psique. Boa parte de minha juventude fora marcada pelas feridas desse mal, que me fez perder amigos e oportunidades. A vida, porém, me trouxe elementos que me guiaram para aprender a administrar meus pensamentos: Relacionamentos, amigos e experiências mostraram-me que isso já passou. Não sou mais um menino. Tudo mudou! Hoje eu sou a prova de que o bullying pode ser algo muito sério. Inúmeras patologias psicológicas poderiam ter sido imputadas a mim devido a ele. Só não fui atingido por causa da recusa de minha própria mente, de minha família e de minhas experiências. No entanto, nem todos têm a mesma sorte. Às vezes uma só palavra pode mudar toda uma vida. 


*Matéria integrante da Revista Cidade Poesia, Edição 001, por Adrian Mcoy.

A praça do Matadouro

*Padre Aldo deve estar se revirando no túmulo.

foto: Adrian Mcoy
Um local que poderia ser uma referência em lazer na cidade, a praça que poderia ser a mais bonita de todas, a Jacinto Osório, no Matadouro, o bairro que o lendário Padre Aldo Bolini revolucionou ao propagar a fé católica e ajudar a construir a igreja de Santa Terezinha. Com a ampliação da igreja, formou-se o bairro ao redor e suas adjacências. Apesar de grande e bonita, a praça parece morta há muitos anos. Fica até complicado dizer o que acontece por ali. Muitos dizem que o local é frequentado por usuários de drogas e vândalos, tornando o lazer algo improvável. Porém, o mais estranho são os quiosques que foram construídos em frente à praça. Inúteis! Estão servindo apenas para pichadores e hospedagem de mendigos, sendo que um odor de urina impera no local. Uma vergonha a céu aberto. Os trailers que compõem a fachada da praça já deveriam ter sido deslocados para os quiosques, o que iria embelezar a área e tornar o local um pouco mais agradável. Porém, nada aconteceu. Os comerciantes declaram que o valor e condições que a prefeitura havia imposto na época eram absurdas, fazendo com que nenhum dos proprietários dos trailers resolvesse se mudar para os quiosques. Resultado: A licitação encerrou-se como “deserta”. Não houve procura. Desde então nada mais foi feito acerca do assunto, ficando o local rendido ao descaso de um abandono, destruindo a imagem daquela que poderia ser a mais linda praça da cidade.


*Matéria integrante da Revista Cidade Poesia, Edição 001, por Adrian Mcoy.