segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A cura do câncer?


O químico Gilberto Chierice afirma ter encontrado a cura do câncer, mesmo sem ter provas e ainda sugere aos pacientes que larguem outros tratamentos. A Fosfoetanolamina é fabricada em um laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo(USP) no campus de São Carlos. A fábrica improvisada das cápsulas azuis e brancas, que se tornaram famosas no “boca à boca”, fica no pequeno laboratório do Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros. Um único funcionário da USP é encarregado de produzi-las. No início dos anos 1990, a droga despertou a atenção do então coordenador do laboratório, o químico paulista Gilberto Orivaldo Chierice, de 72 anos, hoje professor aposentado.

Seria uma notícia extraordinária, não houvesse um grande problema. A substância nunca passou das etapas mais básicas de pesquisa. Em 1996, o Instituto de Química firmou um convênio com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, para estudar “novas moléculas para disfunções celulares”. Mas o hospital não tem registro de estudo com a fosfo. Nunca foram feitos testes clínicos da substância, em um grande número de pacientes, sob o controle de médicos e pesquisadores. A Fosfoetanolamina não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária nem pode ser distribuída ou vendida como remédio no Brasil. Mesmo assim, por razões que a USP não explica, a fosfo era distribuída abertamente, há mais de 20 anos, às portas do Instituto de Química em São Carlos, para pacientes em busca da “cura” do câncer.

O especialista em imunologia Durvanei Maria, do Instituto Butantan, testou a fosfo em animais e células humanas. Confia no potencial da substância como medicamento. Mas não recomenda seu uso antes que testes sejam feitos, nem acha que ela, caso vire remédio, deva substituir a quimioterapia. Em contrapartida, Durvanei é o orientador da biomédica “Fernanda Faião Flores” que, por sua vez, vem realizando uma pesquisa sobre ação antitumoral em melanoma (FCF), a qual aponta que o composto DM-1 (agente antitumoral), testado inicialmente in vitro, induz à destruição de células de melanoma (câncer de pele) e leva à eliminação dos tumores em animais tratados. 


“Creio que deva mesmo funcionar, porém, ainda não está validado e, segundo noticiários, alguns enfermos tiveram melhora com esse medicamento, mas ainda sem comprovação científica. ” – Wadad Naief Kattar, presidente da ABCC – Bragança Paulista


A indústria farmacêutica lucra milhões com sua parafernália que “talvez” combata o câncer em um ser humano. Sendo assim, é mais do que “evidente” que irão fazer de tudo para interromper, atrapalhar, inviabilizar ou até mesmo ameaçar algum órgão que encontre o caminho para uma cura definitiva, simples e barata, assim como a USP, nesse caso, parece ter encontrado. A Fosfoetanolamina sintética precisa de “testes” e registro da ANVISA para poder ser aprovada e distribuída. Porém, é nesses processos que esse medicamento, assim como muitos outros, acabam simplesmente “travando”, pois enfrentam burocracias ridículas e passam a combater a influência de empresas poderosas que seriam imensamente prejudicadas caso eles fossem aprovados. Essas empresas, de maneira inacreditável, preferem manter o grande lucro do que salvarem milhões de pessoas da dor agonizante ou até mesmo da morte. Isso é a prova cabal de quem nem todos merecem ser considerados “seres humanos – Homo Sapiens”, ou até mesmo “Mulheres Sapiens” como afirmou a “presidente” Dilma Rousseff em sua genialidade.


*Matéria publicada na Revista Cidade Poesia, edição: 003 - Fontes: Revista Época, USP.