sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Programados, estagnados e roubados – a falha crítica do sistema educacional



- Primeira linha, parágrafo, letra maiúscula! – e pensar que provavelmente o Brasil só está assim devido a frases como essa.

Na infância fomos rotulados, programados e instruídos a portar uma base de comportamento por todo o resto da vida. Sem percebermos, de maneira geniosamente sutil, nos ensinaram a nunca atravessar uma autoridade, sempre fazer o que autoridades nos mandam, e saber que seremos punidos de maneira amedrontadora que desobedecermos. Tudo isso sem explicações do porque; era simplesmente tudo enfiado goela abaixo.

Quando nos levantamos para ir ao banheiro ou fazer algo do nosso desejo fora da sala de aula e o professor nos proibia, estávamos ali aprendendo a nunca atravessarmos uma autoridade. Muitos nem tentavam simplesmente por verem alguns exemplos bem ao lado. O que certamente foi pior ainda, pois induziu a nossa mente que, além de não podermos atravessar autoridades, não devemos nem tentar.

Quando nos passaram deveres junto a regra de quem estuda tira “10” e quem é vagabundo tira “0”, nos ensinaram a sempre fazer o que autoridades nos mandam, pois inconscientemente todos almejamos o “10” e desprezamos o “0”. Nenhum ser humano aceita a realidade de ser um nada, portanto, nessa simples e aparentemente tola questão, conseguiram implantar em nós uma escravidão robotizada em prol do “sistema”, o governo.

Quando fizemos alguma coisa errada ou contra o sistema disciplinar macabro da escola, fomos enviados a diretoria, que mais parecia um templo mal assombrado onde eramos atendidos por uma bruxa, que faria com que nossos pais nos castigassem severamente ao se utilizar de suas magias do demônio. Embora o exagero, era com essa dimensão que pensávamos quando crianças.

E “pensávamos”, pois não pensamos mais. Apenas um ou outro conseguiu o privilégio de não ter a mente cauterizada por essa cartilha de regras sufocante. Porém, a grande questão é que todos, sem exceção, caminhamos hoje ainda feridos devido a esse “sistema”. Alguns foram atingidos em apenas um campo, outros em dois, mas a maioria em todos. Enfim, somos atualmente todos escravos desse sistema e parece que nada podemos fazer, considerando que, muitos que lerem esse texto e alcançarem a proeza intelectual de chegarem até essa “palavra”, terão uma suspeita de absurdo e refutarão o texto, pois todos somos doutrinados a recusar todas as coisas desse tipo.

Esse texto provavelmente é a falha no sistema. Talvez a percepção do que ninguém podia perceber. Eu, porém, desde que estava lá com meus 11 anos na quinta-série, conseguia perceber que alguma coisa estava muito errada, não tendo ainda a compreensão e dimensão da verdade. Anos depois entrei para a faculdade de Publicidade revoltado com esse sistema torpe, recusando-me no início a cumprir normas e deveres, o que quase me levou para o buraco se outros fatores não tivessem me feito acordar e perceber que a escolinha já havia terminado e que finalmente eu estava vivendo algo de “verdade” (entre aspas, pois esse assunto também contém sérios problemas).

Porque é surreal pensar que alguém organizaria uma milícia popular gigantesca e atacaria o congresso com armas e bombas, sequestraria políticos e paralisariam o país, ordenando uma total reconstrução de tudo? Não seria essa a única maneira de mudar alguma coisa? Ou será mesmo que existem pessoas tão doutrinadas que pensam que apenas protestinhos pacíficos com bandeirinhas e celulares na mão vão adiantar alguma coisa? – É surreal, pois ninguém aceita tal realidade. Somos todos presos por um padrão educacional que podou nossos impulsos e nos fez sermos apenas seguidores de leis e autoridades. Talvez um dos mais controlados leia esse texto e se aperceba da realidade! Ele então falaria para si mesmo: - Pane no sistema! Alguém me desconfigurou! Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido! Eu sempre achei que era vivo. – Isso, na verdade, é o início de uma música da cantora Pitty, mas expressa exatamente o que falo aqui, e que provavelmente é a intenção da autora.

Está na hora de desconectar.

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